quarta-feira, 25 de junho de 2008

Frutos do Arrependimento

Quem lhes deu idéia de fugir da ira que se aproxima? (Lc 3.7)

nationrepents Refletindo sobre este texto fiz-me a seguinte pergunta: o que realmente me incomoda quando peco? Encontrei, então, duas possíveis respostas: (1) o medo da punição, do castigo, da ira divina ou (2) o pecado em si, ou seja, a própria consciência do erro e o quanto isso desagrada o meu Deus. Se a primeira reposta for verdadeira, quando eu peco, não me incomoda o fato de ter ofendido o meu Redentor, mas a possibilidade de ser punido por isso. Por outro lado, sendo a segunda verdade, temo, não apenas o castigo, mas perder a comunhão com o amado de minha alma.

Quando João começou a batizar no Jordão, muitas pessoas iam até ele para serem batizadas. Ele pregava o batismo para o arrependimento. E, de fato, contam-nos as Escrituras que os que vinham até o Batista confessavam seus pecados e eram por ele batizados. Entre essas pessoas estavam também os fariseus. Estes também confessaram seus pecados e queriam ser batizados por João para o arrependimento. Porém, aos fariseus, João repreendeu duramente e os chamou de "raça de víboras".

Então, por que João os repreende tão severamente? Porque buscavam o arrependimento por motivos errados. Quais eram os motivos errados? Eles buscavam o arrependimento por causa da "ira vindoura" – o juízo de Deus. Mas, alguém pode perguntar: não é este o motivo pelo qual os pecadores devem se arrepender? Já que sem arrependimento não há perdão o que acarreta condenação eterna. Então, o que há de errado com os motivos dos fariseus?

O erro é igual ao que muitas vezes nós mesmos cometemos: buscar o perdão por nossa própria causa e não por causa de Deus. Em outras palavras, buscar o perdão porque não queremos ser prejudicados – castigados – e não porque amamos a Deus. Esta idéia de pedir perdão para não ser castigado está tão impregnada em nossas mentes que nem percebemos que é assim que agimos na maioria das vezes. Vou dar alguns exemplos que comprovam isso. Você já percebeu que quando você quer muito alguma coisa e ora intensamente para obtê-la, você também se torna muito mais cuidadoso com o pecado, evitando-o ao máximo. Isto acontece porque temos medo de que Deus se zangue conosco por termos pecado e, como castigo, nos prive daquilo que tanto queremos. Um outro exemplo: depois de termos pecado sentimo-nos mal com isso: o coração fica apertado, a consciência nos perturba tanto que parece até uma dor física, perdemos a paz, o prazer e sequer conseguimos nos divertir por causa do remorso em nossa mente. Então, oramos, buscando o perdão de Deus. Você vai perguntar: o que há de errado nisso? Nada, se o fizéssemos por amor a Deus. Mas, quando fazemos isso simplesmente para nos sentirmos bem novamente, buscamos o perdão por motivos errados e egoístas.

A busca do perdão deve ser conseqüência do verdadeiro arrependimento. Este arrependimento não tem a ver somente com o medo do castigo, mas também e principalmente com o amor que temos pelo Santo Deus. O perdão tem a ver com o outro e não com nós mesmos, ou seja, não devemos pedir perdão para nos preservar, senão por amarmos a quem ofendemos. Isto se torna ainda mais real e necessário em nosso relacionamento com Deus. Quando pecamos ofendemos a Deus, agredimos a sua santidade, desonramos a obra de Cristo e somos levianos com a graça e com a misericórdia divinas. Ainda mais, mostramos não compreender quão sério e grave é o pecado para Deus, pois por causa do pecado o Pai sacrificou seu único Filho. Assim, o arrependimento e a busca do perdão devem, antes de tudo, refletir a consideração que temos por Deus e por tudo que fez por nós através de Cristo. Costumo dizer, baseado no que revelam as Escrituras, que o céu não é bom porque lá há ruas de ouro e outras maravilhas, mas porque no céu é impossível pecar, logo lá não poderei desagradar nem ofender o meu Deus.

Quando nos arrependemos por amarmos a Deus e não por nossos próprios interesses, este verdadeiro arrependimento gera frutos. A arma mais eficaz contra o pecado é o amor a Deus. Uma das piores constatações que fiz a meu respeito é: peco porque não amo suficientemente a Deus. Ainda que queira amá-lo, não o amo o bastante, por isso peco. O arrependimento não é só pelo que fiz, mas também pelo que sou e pelo que sinto e por não amar a Deus como ele deve ser amado (Dt 6.5; Jo 21.17). Este senso de falência e incapacidade, não produz somente tristeza, mas também nos incomoda a querermos ser melhores para Deus. Disso surgem os frutos do arrependimento. Como se quiséssemos compensar o Senhor e provar-lhe nossa gratidão e nosso amor – ainda que débeis – fazemos de forma obediente aquilo que lhe é agradável. Ou seja, produzimos frutos do arrependimento.

Só o verdadeiro arrependimento, motivado pelo amor a Deus e fruto de uma profunda consciência de pecado é que nos leva a produzir frutos. Uma maneira segura de sabermos se estamos buscando o perdão pelo motivo certo é averiguarmos se o arrependimento que nos motivou a isso gerou frutos. João, quando perguntado por aqueles a quem ele batizava sobre o que estes deveriam fazer, responde: se você é um cobrador de impostos "não cobre além do que é estipulado"; se você é um soldado "não pratique extorsão e nem acuse ninguém falsamente" (Lc 7.10-14). Em suma o verdadeiro arrependimento se faz acompanhado, sobretudo de obediência aos mandamentos do Senhor, e de um novo viver: ético, moral e honesto.

Que o Senhor Deus através do se Santo Espírito faça-nos experimentar este verdadeiro arrependimento e nos incomode para que não sosseguemos enquanto não produzirmos os frutos dignos desse arrependimento.

2 comentários:

Telma disse...

Excelente texto muito edificante.Paz de Jesus e que a cada dia produzamos mais e mais desse fruto chamado fruto do arrependimento.

Anônimo disse...

Maravilhoso estudo pastor. Estou muito triste com alguns acontecimentos familiares o que me deixa muito racorosa. Peço que tb ore por mim, pois, estarei em busca do arrependimento. A paz de Cristo Jesus.